Chegamos ao terceiro dia do experimento. Dessa vez, me propus a evitar o contato físico com qualquer pessoa. O início dessa atividade já foi de uma forma um tanto desastrosa: bêbado, na praia, com amigos. Logo nesse início, ao saberem da minha atividade, já quiseram me fazer “errar”. Durante o dia, dois momentos de maior sociabilidade foram o almoço no shopping e ir para a aula, no início da noite.
Essa atividade vai para um caminho até agora não explorado: a ação do observador diante de uma regra pré estabelecida. No caso, como as pessoas reagem ao saber que não posso tocá-las. Isso remete à uma atividade muito comum no ramo da performance: a influência do observador enquanto parte da performance, seja ela com ou sem regras nesse sentido. No meu trabalho performático em particular, a existência de interatividade é bem comum, mas com um protocolo bem delimitado. Muitas vezes, tal protocolo não era respeitado, assim como em performances sem necessidade de participação externa.
Em uma visão mais “dogmatizada” da performance, o pensamento é de que qualquer imprevisto que ocorra faz parte da obra, complementando-a e talvez até se tornando o ápice do trabalho. Mas a minha experiência real com a situação é um pouco diferente. Minha personalidade controladora as vezes tende a idealizar a obra de uma forma que talvez nem segundo o meu protocolo chegue no ponto esperado, com ação alheia então, surpresa total. E essas novidades no trabalho, quando vistas tanto de forma positiva quanto negativa acabam por me tirar do meu centro, comprometendo a minha conexão com o trabalho.
Encontramos então um ponto de observação no performer que vos fala. Talvez eu necessite apenas estar menos fechado numa idealização e entender que não é meu o controle da performance, pois sou só um corpo que inicia uma ação, gerando reações maiores que eu.



















































