Performance: Contato Seguro

A performance faz referência ao conceito da exposição EXCLUSIVOINCLUSIVO, dialogando com a questão espacial de forma mais subjetiva. Questiona o espaço existente entre as pessoas e a sua acessibilidade. O quanto do contato humano realmente ultrapassa o físico? Existem barreiras? Qual a “espessura” dessa barreira?

Fotos: Arquivo Pessoal

O performer se cobriu completamente de papel filme/PVC e se colocou-se a disposição do contato com os observadores, seja através de um abraço ou de um beijo.

 

Data: 15/12/2011

Local: Galeria de Artes do Centro de Atividades SESC/TO em Palmas.

Em busca do estado de espírito performático perfeito – Atividade 7: Em todas as refeições, fazer misturas alimentícias fora dos padrões de normalidade

Como finalização da minha atividade, sexta-feira me propus a fazer algo que tem se tornado uma ideia a se desenvolver nas minhas atividades performáticas: fazer misturas alimentícias incomuns. Logo de início, encontrei algumas dificuldades para a realização da atividade. Além de estar hospedado na casa de uma pessoa com quem tenho pouca intimidade, meu estômago e intestino estavam dando sinais de que teria problemas. No café da manhã e almoço fiz todas as misturas malucas possíveis naquele espaço, sendo mais repugnante de comer a combinação de peixe empanado com geléia de laranja. Como minha saúde acabou chegando em um nível semi-insuportável, acabei por abortar a atividade após o almoço.

Talvez esse fator inesperado leve à discussões como o meu nível de compromisso com a atividade, sendo tal interpretação colocada com base na experiência alheia, verborragia que sinceramente não me interessa. Minha intenção ao colocar essa atividade no experimento seria de observar o quanto eu já estaria confortável com uma atividade que esteve presente em duas performances passadas e estará em no mínimo uma futura (performance inscrita no XI Festival de Apartamento).

Em minha experiência pessoal, cada ato artístico que me é proposto (sendo ele nos mais diversos campos da arte) só é aceito plenamente quando não está dentro de uma zona de conforto, seja essa zona no campo da técnica, da aceitação pública ou até física. Ao citar esse último, talvez você me questione o porquê da desistência da atividade, sendo que o próprio físico me foi determinante para tal. Bem, limito-me a dizer que esse fator desencadearia problemas em outros campos da minha vida pessoal, o que não é de interesse diretamente artístico, não cabendo então nesse blog.

O fato é: questionei meu conforto ao realizar essa atividade. Sua concretização me trouxe a resposta desejada. Pelo menos até o momento, não me encontro em uma zona de conforto com isso, o que me incentiva a utilizar tal ideia como um elemento utilizado em performance. E assim se encerra a a semana de atividades.

PS: como finalização total desse ciclo, pretendo fazer um post final sobre a experiência, aprendizado, amadurecimento obtidos durante a semana. Podem me cobrar.

Em busca do estado de espírito performático perfeito – Atividade 6: me mover desviando de todos os objetos possíveis

Na quinta feira, me propus a agir de forma a desviar de objetos que estivessem no meu caminho. Foi um dia incomum, devido ao fato de estar na casa de outra pessoa, seguindo um outro ritmo de vida. Passeios por shoppings, cafés, lojas… Inúmeras possibilidades de botar em prática essa atividade.

Nessa ação fica claro que não era a movimentação em si que importava, visto que desviar é uma atitude natural de quem se locomove por ambientes com móveis. O verdadeiro desafio seria estar atento para os momentos que tais movimentações e desvios ocorrem. Quem me acompanhou durante todo esse processo já deveria imaginar que meu “fracasso” seria uma certeza. Por várias vezes durante o dia me esqueci completamente da observação. Se desde o início eu já sabia haver uma falta de concentração, na atividade 1 ela ser comprovada, essa vem somente selar o meu compromisso com a “desconcentração”. Repetindo o que já foi dito: isso faz parte de mim e é com isso que eu devo  trabalhar.

Em busca do estado de espírito performático perfeito – Atividade 5: afixar uma mensagem por todo lugar que eu passar

Inicialmente gostaria de me desculpar pela demora na continuação das postagens. Diversos motivos se somaram e deu no que deu. Viagem, dificuldade no acesso, problemas de saúde, preguiça, enfim.

Vamos ao que interessa: na quarta feira da semana em que me propus a realizar atividades relacionadas à performance, a atividade feita relaciona-se com a imagem acima, ou seja, utilizando um “Post it”, afixei essa pergunta pelos lugares que passei. Levando em consideração que quarta feira passei o dia viajando, passando por 4 aeroportos, essa atividade perpassou o país de norte a sul, já que saí de Palmas-TO, passando por Brasília, São Paulo e, por fim, chegando em Maringá-PR. A mensagem foi afixada em todos os aeroportos e aviões passados durante esse trajeto, terminando a atividade em um bar de Maringá.

Durante o processo, fui observando que tal atividade não necessitava de grande concentração, esforço físico e conexão entre eu e um possível observador. A discussão que a atividade me instigou a fazer está na forma como o observador se relaciona com a ação performática. Em alguns casos, o observador lia e me respondia, logo após ter sido afixado. Em outro caso específico, após ter deixado uma mensagem na sala de embarque em Guarulhos, entrando no avião, vi um rapaz com o Post it na mão. Já no bar, coloquei um dentro de um cardápio e observei que, em uma mesa próxima, um grupo de pessoas se aglomerava pra ler. Algumas pessoas, ao saberem do que se tratava, comentavam haver nisso uma “poesia” ou “artisticidade”.

O mais importante nesse processo é que uma atividade foi proposta sem que se esperasse uma reação específica. Colei os papéis pelos lugares, apenas. E observei. No meu trabalho em performance é comum haver um protocolo de o que o observador/participante deve fazer. Muitas vezes, minhas orientações claras não são obedecidas, como já foi dito na atividade nro 3. O deixar o observador livre, lhe dando o direito da interferência, observa-se aí uma riqueza artística em que uma pequena fagulha (no caso, a mensagem em um pequeno pedaço de papel) gera as mais diversas explosões.

Observo nessa atividade a prática das minhas descobertas na atividade nro 3. Lá havia apenas a identificação de uma “falta” minha, ao idealizar um fim para os meus trabalhos. Aqui eu vejo a realização da proposta ali feita. Seria talvez a prova de um amadurecimento? Aguardemos…